O não pedófilo ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi muda a lei e consegue a absolvição no caso Ruby

by · 17/10/2014

Antes de começar o texto, eu gostaria de justificar o uso do adjetivo não pedófilo: pura ignorância da autora que desconhece o antônimo do referido adjetivo e fracassou (antônimo de teve sucesso) na tentativa de utilizar prefixos gregos e latinos de negação.
Eu simplesmente não entendo o motivo da revolta italiana com a absolvição do não pedófilo ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, acusado de envolvimento com prostituição de menores e abuso de poder.
Além do fator sorte, não restam dúvidas de que Berlusconi foi vítima nessa história toda.
Aos 77 anos, ele simplesmente foi enganado por uma marroquina de 17 anos chamada Karima El Marough, mais conhecida como Ruby Rubacuori (Ruby, rouba corações), que mentiu, dizendo-lhe que tinha 24 anos, que era egípcia e parente do ex-presidente Hosnir Mubarak.
É fato que Berlusconi, no intuito de evitar um incidente diplomático com o Egito, abusou da função de primeiro-ministro ao ligar 7 vezes para a polícia de Milão na madrugada do dia 27 para o dia 28 de maio de 2010 para pedir a libertação de Ruby, acusada de furtar 4.000 euros e um colar de ouro branco de uma amiga.

Berlusconi

No entanto, as regras do jogo mudaram (o fator sorte). Coincidentemente, a lei Severino, em tramitação desde 2011, quando Berlusconi ainda ocupava a posição de primeiro-ministro, foi aprovada pelo parlamento italiano e entrou em vigor em novembro de 2012.
De acordo com o texto da nova lei, o crime de concussão, que previa pena de detenção com a antiga lei, foi bipartido em constrição (ameaça que limita a liberdade da vítima) e indução (coação acompanhada de suborno). Para a caracterização do crime de indução, é necessário a ocorrência dos dois delitos, se houver só coação ou só suborno, não há crime.

Ou seja, não há nada mais convincente do que a justificativa da absolvição do ex-primeiro-ministro dada pelos juízes da Corte de Apelação de Milão: Berlusconi realmente coagiu, mas não constringiu, o chefe de polícia e em momento algum, oferecendo-lhe qualquer tipo de vantagem. O único beneficiado foi o próprio acusado que, no abuso da sua posição de primeiro-ministro, impediu Ruby de falar sobre os jantares elegantes que ocorriam em sua casa. Resumindo: o ex-primeiro-ministro italiano apenas coagiu o chefe de polícia, mas não o ameaçou e tampouco ofereceu-lhe qualquer tipo de vantagem.

A história da suposta pedofilia? O envolvimento com a prostituição de menores simplesmente não existiu porque, apesar de terem ocorrido atos sexuais de natureza retributiva, diga-se de passagem muito bem pagos, entre o ex-primeiro-ministro e a menor de idade, não havia no imputado a consciência de ilegalidade de conduta, uma vez que ele não tinha conhecimento da menoridade de Ruby.

Os jantares elegantes organizados na casa do ex-primeiro-ministro? Os jantares eram, assim como o nome, bunga bunga, elegantes, com direito a brincadeiras, piadas e considerações políticas.

O conteúdo desses jantares? Duas jovens italianas, Ambra Battilana e Chiara Danese, ambas com 18 anos e alguns meses, contam um pouco:

“O jantar começou com algumas meninas sendo acariciadas pelo anfitrião e outras cantando o hino oficial da campanha de 2008 de Silvio Berlusconi: Meno male che Silvio c’è (Menos mau que Silvio existe). Berlusconi contava piadas de conteúdo vulgar, enquanto as meninas faziam topless e colocavam as mãos nas partes íntimas do ex-primeiro-ministro, que as chamava de minhas crianças. Depois de contar uma sequência de piadas obscenas, Berlusconi surgiu com uma estatueta de um homenzinho com o membro fálico desproporcional ao seu tamanho e pediu para as suas crianças beijarem a protuberância do homenzinho. Entre beijos e apalpadelas o anfitrião perguntou-lhes se estavam prontas para o bunga bunga, que nada mais era do que uma sala de lap dance com um mastro ao centro e algumas poltronas, onde as meninas, algumas delas vestidas de enfermeira, dançavam de modo vulgar deixando à mostra seios, bundas e calcinhas e não só bolinavam o ex-primeiro-ministro italiano, como também eram bolinadas por ele.”

O que aconteceu depois de toda essa elegância e sobriedade não se sabe (Ambra e Chiara foram embora antes do jantar terminar) e também não interessa, afinal de contas as acusações contra o ex-primeiro-ministro versavam sobre o envolvimento com prostituição de menores e abuso de poder, não sobre a promoção de jantares elegantes em sua casa. E ao que tudo indica, todas as convidadas eram maiores de 18 anos, tirando Ruby, que mentiu para o ex-primeiro-ministro. Sem falar que o conceito de elegância é muito subjetivo.

Mais uma vez, por pura ignorância, tive que recorrer ao dicionário: significado de elegância – Graça, distinção nas formas, nas maneiras, nos trajes: elegância de porte, de vestes; apresentar-se com elegância. Arte de escolher as palavras: falar, escrever com elegância; elegância de estilo.
Ou seja, o que é elegante pro Berlusconi pode não ser pra você.

Além disso, olhem bem a foto da Ruby, tinha como o não pedófilo do Berlusconi saber que a menina era menor de idade? Só pedindo a identidade.

Ruby

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1 Comentário

  1. 11/08/2015

    […] de que não existe ninguém melhor do que o “respeitável” ex-primeiro-ministro italiano, Sílvio Berlusconi. Esse sim, representa muito bem a tradicional família […]

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