Gravidez na Itália

by · 08/02/2017

Antes de fazer o teste de farmácia, eu já sabia que estava grávida.

Antes de saber o sexo do bebê, eu já sabia que era o Pedro. Estávamos esperando, ansiosamente, por ele.
O Carmine estava viajando quando eu fiz o teste de gravidez em casa. Assim que ele voltou de viagem, fomos ao hospital para saber o que deveríamos fazer.

O primeiro passo foi ir ao nosso médico de família pedir um formulário para fazer a primeira ultrassonografia.

Primeira pergunta: quem é o nosso médico de família?

Como nunca havíamos precisado de um, não sabíamos quem ele era.

O médico de família é um clínico geral que atende perto da onde você mora. O nosso ficava a menos de um quilômetro de casa. A par da suposta gravidez, ele nos deu o formulário para fazer a ultrassonografia.

Voltamos ao hospital que havíamos escolhido para fazer o acompanhamento da gravidez e o parto com o formulário em mãos, mas descobrimos que as ultrassonografias obrigatórias (primeiro, segundo e terceiro trimestre) deveriam ser marcadas com muita antecedência, para ser mais precisa, antes mesmo de engravidar.

Felizmente, isso não é um problema em Milão, no hospital que escolhemos não havia datas disponíveis, mas podíamos fazer em qualquer outro hospital da cidade.

Fomos fazer a ultrassonografia na semana seguinte, o resultado: É um e está vivo, querem ouvir o coraçãozinho dele?

Claro que sim! E ouvimos o coraçãozinho do Pedro juntos com os olhos cheios de lágrimas.

A partir dali, começaram os exames de sangue e de urina e a rotina do pré-natal.

A primeira consulta, com o resultado da ultrassonografia e do primeiro exame de sangue e de urina, foi para me orientar acerca da alimentação, para dar uma previsão da data do parto e para controlar o meu peso e a minha pressão.

A médica era muito profissional e objetiva. Não estava ali para ficar batendo papo ou tirando muitas dúvidas, o trabalho dela era fazer o acompanhamento da gravidez de modo rápido e eficiente.

Depois dessa primeira consulta num hospital público, fui a uma clínica privada para ter um tratamento mais exclusivo, e descobri que o atendimento no público e no privado eram praticamente o mesmo.

Mesmo tendo plano de saúde, eu optei por fazer todo o pré-natal e o parto pelo sistema público. Sinceramente, não vi diferença nenhuma entre o sistema de saúde italiano público e privado.

As consultas e os exames de sangue e de urina foram feitos mensalmente. Não se paga nada pelas consultas e pelas três ecografias obrigatórias. Os exames de sangue custaram menos de 10 euros cada.

Para mulheres com mais de 35 anos, também são gratuitos (mas não obrigatórios) os exames da biópsia do vilo corial ou a amniocentese.

A biópsia do vilo corial é feita entre a décima e a décima terceira semana de gravidez e caso o feto apresente alguma anomalia cromossômica ou genética, a mãe pode optar pelo aborto.
Pontos fortes do sistema público de saúde em Milão: os médicos são objetivos e profissionais, as estruturas são organizadas, têm sempre disponibilidade e estão em boas condições de funcionamento.

Pontos fracos do sistema público de saúde em Milão: o pré-natal é feito pelo médico de turno, às vezes é o mesmo que já te atendeu, outras vezes não. Na verdade, não seria um ponto fraco, se eles assumissem algum tipo de responsabilidade, como por exemplo receitar um remédio para dor de cabeça, mas eles sempre se omitem.

Por sorte, o único incômodo que eu tive durante a gravidez foi dor de cabeça (no primeiro trimestre), e todas as vezes em que eu fui ao médico, quando ele me perguntava como eu estava e etecetera, eu falava sobre as dores de cabeça e, em duas ocasiões diversas, perguntei que remédio tomar, o médico não era o mesmo, mas nas duas vezes as respostas foram as mesmas: Você deve perguntar para o seu ginecologista de confiança.

Como assim? Meu ginecologista de confiança é você! É você quem está acompanhando a minha gravidez!

Resumindo, não tomei nenhum remédio durante a gravidez.

Os médicos são profissionais, mas você é só um número. A gravidez é única e especial para você, não para eles. Os médicos não estão lá para perder tempo, se você estiver a fim de tirar dúvidas comuns ou de conversar, ligue pra tua mãe ou pra tuas amigas, esqueça o ginecologista de plantão.

As consultas são feitas com horário marcado, mas às vezes atrasam.

Você corre o risco de pegar um médico que pode te levar à beira de um ataque de nervos!

Eu sou extremamente calma, minha gravidez foi muito tranquila, mas as duas últimas ultrassonografias que eu fiz, quase me enlouqueceram. A médica virava o monitor para ela e a cada órgão que ela examinava e tirava as medidas, abanava a cabeça em sinal negativo. Após o terceiro sinal de negação, eu estava apavorada. Quando ela terminou, perguntei se o Pedro era saudável, se estava tudo bem e ela me disse que não dava para dizer se o bebê era saudável, mas apenas que tinha todos os órgãos no tamanho e funcionamento previstos.

O parto: eu sempre tive muito medo do parto, aliás, tenho pavor de pontos, fraturas, sangue. Nunca quebrei nada, nunca levei pontos e todas as vezes que tiro sangue, olho para o lado contrário.

Quando eu fui ao meu médico de família no começo da gravidez, ele me perguntou que tipo de parto eu faria e, sem pensar, ou melhor, depois de ter pensado por toda uma vida, eu disse: cesariano, claro!

E ele me respondeu: Por que você vai fazer uma cirurgia para ter um filho?

A palavra cirurgia me arrepiou até a sola do pé e mesmo morrendo de medo, decidi, naquele momento, que o parto seria normal e foi! Mas isso já é uma outra história.

O Pedro nasceu no dia 20 de novembro de 2016 à meia-noite e cinquenta.
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6 Comentários

  1. Berta Stroppa disse:

    Boa noite Simone, estou grávida de 24 semanas.. quando descobri que estava gravida, meu marido ja havia comprado as passagens pra irmos pra Itália e ele fazer a cidadania, planejavamos ter um bebe assim que a cidadania dele estivesse pronta! Com tudo pronto para a viagem, descobrimos com 21 semanas que eu estou grávida.. comecei o pre natal e minha médica me apoiou e disse que eu devo sim ir pra Itália e ter nossa filha ai, estamos fazendo todos os exames possíveis para quando eu chegar ai só prosseguir com o pre natal!
    Ja pesquisei muito, e pelo fato do meu marido ser cidadão sei que sera tranquilo.. mas a minha preocupação ainda, é como proceder, onde ir e como fazer pra continuar meu pré natal? Qual hospital escolher?
    Você pode me dar um auxílio pra me deixar mais tranquila?
    Meu marido ira antes que eu, se nós nao tivéssemos tudo programado e certo pra nossa mudança eu teria a bebe aqui no Brasil com certeza. Mas não quero te-la longe do pai, acredito qur você me entenda hehe
    E meus sogros tbm estarão conosco, eles estão morando na Inglaterra atualmente.
    Aguardo seu retorno, se puder ser por email fico grata Bertaeliatriz@gmail.com
    Obrigada

    • Simone Betoni disse:

      Olá Berta, você deverá ir ao hospital mais próximo da sua casa para fazer o pré-natal.
      O primeiro passo, é tirar a carteira de identidade, o número do contribuinte e a carteira de saúde. Depois, alugar uma casa.
      Com os documentos em mãos, é só escolher um hospital que fique próximo a onde você mora.
      Aqui na Itália, os hospitais públicos só fazem parto normal. A cesárea só é feita quando necessária 😉
      Parabéns pelo bebê e tudo de bom pra vocês.

  2. Lívian disse:

    Olá Simone! Muito interessante e esclarecedor o seu post sobre gravidez e suas fases na Itália.
    Queria muito tirar algumas dúvidas específicas sobre gravidez e parto em Milão, pois estarei aí em setembro.
    Tem algum e-mail para que eu possa escrever?
    Obrigada
    Beijos

  3. Phillipe disse:

    Olá Simone,
    Fico feliz que você e sua família esteja crescendo e que o pequeno Pedro tenha vindo ao mundo tão assistido e amado. Realidade completamente diferente daqui, o cuidado e compromisso com a vinda de uma criança e o planejamento do estado para tal. Caso tenha tempo ou interesse, poderia fazer um artigo com suas impressões e opiniões sobre a imigração ilegal em massa que aporta na Itália diariamente? Saúde e sucesso!

    • Simone Betoni disse:

      Olá Phillipe, é verdade, no Brasil, tanto o planejamento, quanto o acompanhamento da gravidez, infelizmente, deixam muito a desejar. É uma triste realidade.
      Tenho interesse sim 🙂 É só uma questão de tempo.
      Muito obrigada.
      Saúde e sucesso pra você também.
      Abraço,

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